Torna-se quase desconcertante conseguir olhar profundamente num par de olhos claros. Por mais estranho que o pareça, uma vez que não são absolutamente diferentes dos castanhos ou dos pretos. Ainda assim, revela-se uma missão complicada.
Logo comigo que adoro olhar bem fundo nos olhos das pessoas.
Já se aperceberam da facilidade com que nesta era digital nos afastamos das pessoas?
Será verdade que conseguimos igualmente nos aproximar com relativa facilidade, por vezes em circunstâncias que nunca poderiam acontecer de outra forma, ainda assim, julgo que facilitamos imenso na hora de deixar de falar.
Afinal de contas, uma mensagem ou um e-mail não demoram mais de alguns segundos.
Pergunto-me se será receio ou preconceito, a condicionante que controla a incapacidade de aceitar uma dada pessoa pelo que ela é.
O discurso que todas utilizam é deveras eloquente mas a distância entre o que dizem e aquilo que fazem é avassaladora. Mais cedo ou mais tarde, os seus traços genuínos vêm ao de cima, expondo claramente o que realmente são e o que desejam.
Entre oito mil milhões de pessoas existentes neste planeta não seria presumível que fossemos todos um pouco diferentes? Então por que razão não somos aceites da mesma forma? É que não tenho dúvida alguma que se me inserisse num "determinado" modelo pré-definido teria muito mais "sucesso".
Ainda assim, mesmo apregoando que aceitam as pessoas pelo que são, manifestam uma grande tendência para procurarem encontrar sempre mais do mesmo... Na maioria das vezes penso que as pessoas desejam encontrar alguém que as encante mas somente se esta "vier" concebida de acordo com o modelo desejado. Tudo o que contradiga a "tal" conceção que idealizam, começa mais cedo ou mais tarde a ser desconsiderado.
Assim, surge-me sempre a mesma questão. Terão elas receio ou preconceito em relação ao que sou?