Foi este vídeo que vi há cerca de um ou dois anos, a me fazer escrever o maior poema que já consegui.
Ver a filmagem não terá sido já um choque, pelo tempo que já decorreu desde o ataque, mas a forma crua e real que esta filmagem nos transmite, levou-me a colocar na pele de um qualquer daqueles milhares de funcionários, que diariamente lá ganhavam a vida, imaginando um pouco o que seria querer sair e não puder...
Desde já apresento as desculpas pelo tamanho do mesmo, mas teve de ser para manter a linha de raciocínio.
Mais um dia que está a despertar
Novamente esta rotina para cumprir
Corro para o Bus apanhar
Nem tempo tenho para te acordar e ver sorrir
Amaldiçoo a necessidade de trabalhar
Que me leva a tão cedo da cama sair
Gostava desta vida poder mudar
E melhor desta existência contigo usufruir
Corro acelerado nesta confusão a misturar
Como pode haver tanta gente aqui a reunir
Tudo a querer a vida ganhar
Mas eu ainda tenho 50 andares para subir
Vou entrando para no meu cubículo me enfiar
E o meu monótono serviço fazer progredir
Sento-me e paro um instante a olhar
A foto onde abraçados estamos a rir
Quando um mau pressagio me vem assaltar
Mas porque me veio isto afligir
Era só o que faltava vir rebaixar
Mais a vontade que já se vinha a reduzir
Ouço o telemóvel a tocar
Ignoro por já não ter mãos a medir
Devolvo-te a chamada quando isto acalmar
Ou falamos quando logo te vir
Grande estrondo passo eu a escutar
Parece que o prédio acabou de explodir
Desata todo o mundo a gritar
Explicações começo eu a pedir
Dispara o alarme de fogo a tocar
Urge em mim a necessidade de fugir
A nossa foto pego sem pensar
E para as escadas me começo a dirigir
Grande quantidade de pessoas a aglomerar
Não tarda começam todos a colidir
Começo a descer andar após andar
Até ao enorme fogo vir a descobrir
Para trás não dá para voltar
Em frente o caminho não posso abrir
Nisto não posso acreditar
Sair daqui não vou conseguir
As vivências começam aos meus olhos passar
Assombra-me a necessidade de te sentir
O telemóvel para ti faço ligar
Quero pelo menos a tua voz ouvir
Atendes com o choro a ameaçar
Já sentes o mal que está ai a vir
Tento rapidamente tudo te contar
E por palavras o sentimento exprimir
É difícil e já o ar me começa a faltar
Nunca to irei conseguir transmitir
Não consigo parar de chorar
Mas tenho que ser forte na hora de ir
Quero que seja isso que vás de mim guardar
Pergunto-te se tudo te consegui cumprir
Ou terá havido algo a falhar
Tentei tudo de bom te retribuir
Mas levo a impressão que não vai chegar
Ah maldito destino que me vai assim trair
Encurtando o tempo que precisava de usar
Para desta vivência contigo usufruir
E todos os dias te dizer que te vou amar
Mas o edifício começa a ruir
E leva a chamada a cancelar
Chegou triste a hora de partir
Mas poderá um dia voltar a encontrar
Se existir local para onde a alma possa evadir
E lá a irá pacientemente aguardar
Para que juntos finalmente possam resistir
Fox

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