quarta-feira, 20 de junho de 2012

Elevator



Entramos no elevador, juntos e de dedos entrelaçados.
Está calor em demasia para um confinamento numa caixa de metal. Mas ainda serão alguns andares a subir. Não estamos sós, pelo menos até que ela saia.

O teu vestido cola-se sensualmente às curvas desse delicioso corpo, com a alta temperatura que se faz sentir lá fora. Aqui, a brisa artificial refresca-te o peito através desse generoso decote. É demasiado o magnetismo daí resultante.
Olhamos nos olhos um do outro. Falam eles mais do que nós próprios faremos. O castanho é em ti cintilante e profundo. Reflete a minha silhueta, brilhando todo o meu eu.

Mordes o lábio enquanto me olhas com desejo. Conheço-te bem demais. Ferves de vontade.
Provoco-te. Mostrando a língua num pequeno movimento obsceno. Termino com um sorriso sacana, que sei que aprecias em mim.

O rastilho foi acesso...

A pessoa sai. As portas iniciam o movimento de fecho. Parecem segundos intermináveis.
Os dois pares de olhos estão cravados entre si. Serão os ouvidos a detetar o som. Ele chega, acompanhado pelo impulso da ascensão. A partida foi dada.

Saltamos loucamente um sobre o outro, como dois lobos famintos. Não de alimento mas de desejo. Sentimento esse que também alimenta, mas só a alma.
Os nossos lábios quentes encontram-se. Devoram-se. Misturam-se. Numa perfeita simbiose.
O teu peito já não é escudado por nenhum decote, mas recebido nas minhas mãos. Que de forma segura os acariciam, aguardando a chegada daquela que virá, depois de contemplar o teu pescoço arrepiado.

Lábios e língua devoram freneticamente esse maravilhoso peito, que me inebria o corpo só de olhar.
As minhas mãos acompanham todas as curvas do teu ser, mexendo no teu vestido, procurando a fonte de toda esta loucura.
Esta já deixa escorrer pelas coxas, a vontade húmida que tens para que eu te possua. Não há mais tempo. Por isso afasto a última barreira de tecido que impede a nossa união.
Tocando-te de uma só vez, permito a fusão dos nossos corpos num frenesim de tesão. A excitação é avassaladora. O perigo só acentua o desejo. Não dá para aguentar muito.
Ambos explodimos num ápice de louco prazer, olhares penetrantes e vozes arfantes.
Vivi. Viveste. Vivemos.


Fox

8 comentários:

  1. Respostas
    1. Sim único. Não devo conseguir escrever outro... ;p

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  2. Reclamava eu da temperatura....
    Por estes lados esta muito quente.
    Parabéns, envolvente.

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    1. O calor deve estar para ficar. Estamos no "tempo" dele. ;)
      Obrigado, Brenda.

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  3. Acho que nunca mais vou entrar num elevador sem ter pensamentos "impuros" lol

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    1. Ahahah, esses pensamentos poderão ser impuros, mas essenciais a uma vida completa. Aproveita-os. ;)

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  4. Pura imaginação ou realidade, Fox?
    Gostei :)

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    1. Imaginação Isadora, pura imaginação. ;)

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