segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Hand



Ele surge quase sempre altivo, de postura rígida, semblante pesado. É um gentleman nos modos e na apresentação, algo que já não pertence a este tempo. Possui uma identidade própria como produção da experiência de vida, essa malvada que a todos nós custa e a ele tanto o modificou. Agora a sua alma é negra como a noite que o envolve. Negra de luxúria corporal, que o alicia tanto como uma gotícula escarlate a um vampiro sedento de sangue quente. É mais forte do que ele consegue ser. 

Quando procura lá no fundo dos olhos dela, vê que apesar da idade é inocente. Esboça um sorriso matreiro. O sabor da perseguição da presa é tão delicioso para ele. Mera ovelha prestes a sentir os caninos que suavemente lhe roçarão na pele, fazendo-a eriçar os pelos num arrepio quente de excitação. Quase que lhe apetece uivar na eminência do festim. 

Foi ela quem o convidou, desconhecendo o que ele é ou desconfiando, mas sem conseguir resistir ao encanto que ele liberta. O seu corpo é delgado, pernas longas, rabo arrebitado, peito pequeno, pele branca, cabelos loiros. Perfeição. Todas são perfeitas enquanto não as conhece bem. A desilusão só chega depois disso.

O degustar do café alonga-se entre olhares, sorrisos, palavras soltas e pensamentos obscenos na cabeça dele. Diz-se cansado de estar sentado naquela cacofonia onde não consegue ouvir a melodia da sua voz. Saem juntos, sem se tocarem até entrarem no carro que ela conduz até junto ao mar. Apanágio de um qualquer romance fugaz ou duradouro, ele nunca conseguiu entender bem a atratividade dessa ocorrência. Também não é isso que lhe interessa neste instante. Apenas a quer possuir, escolha ela o lugar que escolher, como se lhe permitisse a ilusão de algum resquício de controlo. 

Mais olhares, mais palavras, mais sorrisos, mais toques acidentais, não demora muito até se embaciarem os vidros e as línguas se misturarem numa dança suja e agressiva. Já faz imenso tempo que ele se limitava por vergonha ou respeito. Neste combate não existem regras, tudo vale quando o prémio é o prazer. 

Os seus lábios são possessivos, a sua língua é violenta, a sua mão é rápida, o seu toque é quente. Ela fica surpreendida mas não se consegue desligar deste contato. Perde-se entre suspiros e pequenos gemidos que não controla, ao sentir a mão que habilmente se introduz por baixo das roupas e explora o seu corpo nervoso. A mão dele movimenta-se suavemente mas de forma decidida, tudo tocando na sua progressão descendente. Os pequenos seios latejam com o bater acelerado do coração, os seus bicos estão duros com a excitação que ele lhe provoca. 

Ele acha excitante os pequenos gemidos que ela liberta na sua voz sensual. Lambe-lhe gulosamente o sabor da pele do pescoço, perdendo-se com beijos e sussurros junto ao lóbulo da orelha. Desaperta o botão das apertadas jeans introduzindo-se onde pretendia chegar desde o início. Ela está quente, húmida, pegajosa, deliciosa. 

Ele introduz um dedo e começa o vai e vem que acelera o ritmo cardíaco e acentua os gemidos que ela liberta. Mais e mais depressa ele lhe toca, para acompanhar a vigorante excitação que cedo a levará ao êxtase. Ela geme e procura inspirar o ar que necessita para controlar a excitação. Ele beija, lambe, morde, sabendo que a cada pequeno gesto a deixa mais louca. Está quase lá, os seus gemidos são expressos num tom demasiado alto, ele tapa-lhe a boca com a sua sugando uma vez mais o seu doce sabor. Ela não aguenta mais a loucura daquela mão que a toca e explode em pequenos espasmos. Ele retira a mão do foco de calor, levando os dedos à boca para sentir o doce néctar que os reveste. Delicioso.


Fox

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

You were

Foste um desejo.
Foste depois uma realização.
Foste até uma presença corpórea.
Foste reduzida a uma mera memória.
Foste.

Agora pareces um fantasma. Estás, sem nunca mais teres estado. Uma presença sem presença, que me assombra quando vejo os teus traços retratados noutras. Ninguém me disse que seria tão árduo e penoso, o labor de te erradicar a essência do corpo, da mente, do coração e da alma. Ainda me pergunto, o que de tão importante teria para mim alguém tão imperfeito. Passados todos estes anos continuo sem o saber. Apenas eras.

A única certeza  que outrora tive e ainda hoje tenho é que não te conheço apenas desta vida...


Fox

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Trouble

Junta-se quem raramente está junto por mais do que alguns momentos durante largos períodos de tempo e obtém-se de imediato sarilhos.
É incrível como existe uma quase cíclica verificação deste fenómeno, no qual temos de exercer do nosso direito pelo silêncio ou o mais certo é sermos incompreendidos e por conseguinte envolvidos numa batalha verbal em tempos de paz.
Mas como o silêncio traz consigo o estandarte da não socialização é assunto melindroso de se controlar.
A partir de um certo momento a repetição torna-se tradição...


Fox

sábado, 22 de dezembro de 2012

Merry Christmas


Considerando que afinal de contas os Maias se equivocaram e por conseguinte nós teremos que adiar a esperança de ir "mais cedo para cima", parece que tenho que continuar com os deveres desta minha patética forma de vida durante mais algum tempo.

Portanto, cabe-me a responsabilidade de vir desejar a todas as leitoras, que ainda reúnem vontade de ler as minhas parvoíces, um Santo e Feliz Natal, junto daqueles que realmente importam.

Espero que seja para todas, uma pequena época de grande magia e encanto, cheia de harmonia que por vezes nos falha durante o restante ano.

Esqueçam tudo o resto e por estes dias soltem a criança que dentro de todos nós existe.

Boas Festas.


Fox

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Me

A minha individualidade é característica e parte intrínseca de mim mesmo. Sem molde nem cópia que defina a minha essência. Sou eu e apenas eu.

Não remo contra a onda da uniformidade, apenas penso e decido por mim. Não sigo modas nem tendências, apenas questiono aquilo que vejo. A forte convicção no que acredito e a radiante presença fazem-se sentir sem qualquer dificuldade. Talvez se sintam por elas intimidadas, subjugadas, controladas.

Julgam-se no entanto corretas, aquelas que notam a diferença não por a entenderem, mas por saberem que é diferente da delas. A ninguém pertence a razão, a todos se deve a aceitação para se poder ser aceite.

No incumprimento da vontade de respeitarem as regras do jogo, abstenho-me de jogar. Por tal, ergo as sólidas muralhas que me distanciam dos que não se dão ao penoso labor do pensamento. O sacrifício será sentir a alma fria como o ermita, que sozinho habita a gruta negra da individualização.


Fox

domingo, 16 de dezembro de 2012

One day

Ainda acalento o desejo de chegar lá.

Aquele sitio.

Lá ao longe.

Desconheço onde fica ao certo, mas todavia quero lá chegar. Desde que me lembro sempre caminhei sozinho pela valeta não incomodando quem usasse a estrada, mas agora ocupo o meu espaço não me incomodando com mais ninguém.

O narcisismo vem-me desta forma ao de cima quando existe um objetivo particular a atingir. É um árduo labor este que me ocupa, mas não me faltem as forças e chegarei lá.

Um dia.


Fox

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Good movie? Hell yeah XII

Finally!!!

Liguem o som para acompanhar a leitura do post...



Hoje foi o dia!

The Hobbit!

Quebrei a rotina. O que nos últimos tempos é uma coisa rara, a necessidade assim o exigiu, eu cumpri como havia prometido. Então lá me aperaltei todo, nunca se sabe quando ou onde posso encontrar a minha "anima geminum", se bem que já desisti de tal demanda. Mas lá fui eu com a espetativa bem alta, depois dos três primeiros filmes e não sai desiludido. Uma vez mais uma obra de génio do Jackson, foram umas excelentes 3h de filme, bem agradáveis de passar, nem "dei" por mim sozinho. Recomendo a quem apreciar este genero de obra. Venha dai uma "porrada" de oscars e a sequela, se dia 22 ainda aqui estivermos...



Agora com licença, tenho que ir escrever a carta ao Pai Natal a encomendar uma Orcrist. Portei-me tão bem este ano...


Fox

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cold as ice

Atrás de uma porta residem.

Fechados. Escondidos.

Como qualquer fraqueza deve existir e permanecer.

Ninguém gosta de se expor, demonstrando que é capaz de sentir. Ficar vulnerável ao capricho e escárnio de alguém. Rasgar novamente velhas cicatrizes que outrora infligiram. A recuperação não mata mas modifica, nunca mais permitindo ser igual. É mais fácil ser um autómato que apenas um coleccionador. De desilusões.

(O mistério será descobrir a razão da porta blindada ocasionalmente se encontrar entreaberta, revelando mais do que se deve.)



Fox

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Challenge V

Desta feita trago mais um desafio colocado pela Lost Lenore, cujo objectivo é incentivar à leitura, enunciando um livro que tenhamos tido especial ênfase aquando da sua leitura ou que de algum modo seja favorito. Em seguida deveria passar o mesmo desafio a terceiros, mas como vocês já se devem ter apercebido, poucos blogs frequento além dos que vou enunciando ocasionalmente. Assim para que não me volte a repetir, deixo em aberto neste "post" para quem quiser enunciar algum livro é bem vindo, porque adoro ler e estou sempre receptivo a boas leituras.

Espero bem que participem, gosto que o façam, afinal este espaço vive da vossa colaboração.

Assim sendo, vou então enunciar alguns que me lembro mais facilmente, não possuindo nenhum que para já me tenha "marcado" a vida...

  1. Saga A Song of Ice and Fire de George R. R. Martin, já aqui vos falei dela anteriormente mas volto a falar porque depois de ler isto não será qualquer livro que nos irá marcar em termos da complexidade de criação de personalidades distintas para as personagens. O enredo é sempre profundo bem como as complicações que ocorrem com escala gigantesca de repercussão. Hum... Já me apetece voltar a ler...
  2.  A filha do capitão de José Rodrigues dos Santos, terminei de o ler apenas a alguns dias e gostei bastante. Devo dizer que depois do meu "trauma" no Sétimo Selo, não lhe esperava uma história deste calibre. Mas conseguiu me prender de principio a fim, tendo apreciado bastante todo o enredo criado em volta da Primeira Grande Guerra. Acho que até merecia um filme... Tinha história para isso.
  3. O doce veneno do escorpião de Bruna Surfistinha, faz agora uns anos que o li mas trago-o sempre na memória. Profundas experiências de vida, retratadas de uma forma bastante simples na abordagem mas com impacto.
  4. As oito dádivas eternas da vida de Paulo Carvalho, este género de livro não costuma ser do meu agrado mas enuncio-o aqui porque me foi indicado na pior fase pela qual já passei, por uma pessoa que aparentemente o destino colocou na minha vida apenas para ela mo indicar... Ainda hoje penso nisto, realmente a vida dá cada volta. Enfim, quem sabe se não poderá ajudar alguém como me ajudou a mim.
  5. Sexo sem tabus de Marta Crawford, este sim já é o meu género como se devem aperceber... Porque as mulheres merecem tudo e temos que nos manter ao melhor nível para lhes proporcionar o que merecem, logo devemos nos instruir o mais possível de modo a poder fazê-lo. Ninguém nasce ensinado, nem nenhum é "o maior da rua" como "alguns" julgam, logo existe muito para aprender. Está mais do que na hora de reparar as queixas de todas as damas mal amadas...
Pronto, a missão está concluída. Espero que sirva de algo a alguém. Nem que seja apenas a uma pessoa já será uma missão de sucesso da minha parte. Aguardo possíveis sugestões de leitura da vossa parte...

 
Fox

sábado, 1 de dezembro de 2012

Wake me. Don´t!



Acordar com uma tão bela face memorizada e a impressão impregnada de que lhe fiz alguma coisa de “bom” mas sem me lembrar o quê ao certo… Que aborrecimento traz consigo este sentimento similar a possuir a fama sem ter o proveito. Logo eu que gosto pouco de me aproveitar…

Bem, mas antes isso do que acordar com o real peso da viva recordação de quem nos anos perdidos do entretanto já deveria ter desaparecido. Algumas ações perpetuam-se muito depois do estrago ter sido causado.

Sim, aconteceu-me na mesma semana. A minha mente está quebrada. Mas não só, ao que parece todo eu sou quebrado e não o sei. Bahhh


Fox