quinta-feira, 30 de maio de 2013

Empty shell

O tempo mata.

Cada dia mais um pouco.

É um silencioso assassino de emoções e sentimentos. Não sendo travado, não deixa mais do que apenas um invólucro vazio. Vazio e em fuga.

A fuga sempre foi mais aceitável do que o confronto. Todos fogem do sofrimento, em especial aqueles que feridos outrora saíram de um confronto.

No entanto, quanto mais fogem mais morrem, até encontrarem o seu derradeiro final.


Fox

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Dance alone

A singularidade parece prevalecer perante a união.

Raras são as vezes em que desejamos tão intensamente algo que quebramos barreiras que de outro modo não nos atreveríamos. 
Cegos por fantasias que nos iluminam a alma e aquecem o coração, desencadeamos um ritmo desenfreado de ações que envolvem e mantém a pessoa refém. 
Mas por vezes descobrimos que nem sempre o compasso bate ao mesmo ritmo, sendo que o resultado que daí resulta pode não ser o desejado.

Se um não quer, dois não dançam.


Fox

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Wild III


Apenas os cavalos nas outras baias adjacentes os pressentiam mas não incomodavam. A luxuosa instalação que o cavalo possuía era fabulosa e neste momento propícia a dois selvagens descontrolados. Ele puxou-lhe o polo molhado revelando os belos seios já duros de excitação. Ela tentou-lhe retirar aquela estranha vestimenta mas sem sucesso. Teve que ser ele a despir a roupa, revelando um corpo de tez morena e cheio de pelos. Ela encostou-se a uma das paredes para retirar as botas de montar e descer as calças justas.

Recebeu-o num abraço quente com o calor de ambos os corpos a se misturarem. Ele sentiu-a de pele húmida pela água. Ela sentiu-o de pele pegajosa pela transpiração. Encostou-a à parede e tomou-a pelas pernas, abrindo-a a si. Voltou a senti-la, mas desta vez húmida, quando a penetrou. Ela libertou um suspiro contido. Ele iniciou o vai e vem ritmado com o mesmo fulgor de um dos seus garanhões. Ela arranhou-lhe as costas e o rabo, incitando-o a um maior movimento. Ele transpirava desmedidamente com o visível esforço. Ela gemia e ofegava, procurando por oxigénio que lhe parecia fugir em toda esta excitação.

Com um ligeiro empurrão afastou-o de si e quebrando o contato tão intimo que mantinham, levou-o a deitar-se sobre a palha que se amontoava no chão. O olhar dela era de pura delícia. Vê-lo assim deitado na palha, deu-lhe vontade de o cavalgar como fazia com os garanhões. Armada da sua chibata colocou-se sobre ele e montou-o selvaticamente como uma amazona. Impôs um ritmo desenfreado tomado pelo prazer e a luxúria. Os movimentos eram acompanhados com gemidos e as ligeiras batidas da chibata nas pernas dele. Ele estava louco com todo aquele comportamento. Ela estava doida com todo aquele controlo sobre o príncipe.

Tanta loucura levou a que não controlassem mais a restrição que faziam sobre o prazer que sentiam. Entre sons de couro a bater na pele e gemidos sôfregos, os dois corpos uniam-se cada vez mais rápido. A respiração de ambos era pesada. Ele veio-se e gemeu. Os cavalos relincharam e bateram com os cascos nas portas. Ela gritou e veio-se.  

Assim ficaram por momentos os dois corpos transpirados, quentes e saciados sobre os fios de palha espalhados por toda a baia.


Fox

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Victory

A vida é formada por pequenas vitórias, essas que nos impulsionam na perseguição de algo substancialmente indefinido. 
Só e apenas um dia, todas os pequenos ganhos formarão uma campanha que se traduzirá numa vitória final. Esse dia, imaterial nesta realidade, será matéria numa realidade ainda a vir. 
Um dia. 
Mas até lá, luto!


Fox

sábado, 18 de maio de 2013

Reality


Alguns textos deveriam ser de leitura obrigatória por forma a que algumas verdades superiores fossem compreendidas e tornadas elementos constituintes do senso comum. É este um conceito que cada vez mais me assiste o espírito mas que não conseguiria descrever nesta concepção de plenitude e perfeição proposta por Balzac. Aquelas que tenham a ousadia de ler o texto na integra, deliciem-se com o que vos espera, se já lá não estiverem...


“Tome a mesma moça aos 20 e aos 30 anos. No segundo momento ela será umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro. Ela perde a frescura juvenil, é verdade. Mas também o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer da vida, de si mesma e de um homem. Não sustenta mais aquele ar ingénuo, uma característica sexy da mulher de 20. 

Só que isso é compensado por outros atributos encantadores que reveste a mulher de 30. Como se conhece melhor, ela é muito mais autêntica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com o seu homem. Aos 30, a mulher tem uma relação mais saudável com o próprio corpo e orgulho da sua vagina, das suas carnes sinuosas, do seu cheiro cítrico. Não se chateia mais com nada disso. Na verdade, ela quer aborrecer-se o menos possível. Está interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorando o que for feio e baixo-astral. Quer é ser feliz. 

Se o seu homem não gosta dela do jeito que é, que vá procurar outra. Ela só quer quem a mereça. Aos 30 anos, a mulher sabe vestir-se. Domina a arte de valorizar os pontos fortes e disfarçar o que não interessa mostrar. Sabe escolher sapatos e acessórios, tecidos e decotes, maquilhagem e o corte de cabelo. Gasta mais porque tem mais dinheiro. Mas, sobretudo, gasta melhor. E tem gestos mais delicados e elegantes. Aos 30, ela carrega um olhar muito mais matador quando interessa matar. E finge indiferença com muito mais competência quando interessa repelir. Ela não é mais parvinha. 

Não que fique menos inconstante. Mulher que é mulher,se pudesse, não vestiria duas vezes a mesma roupa nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor. Mas, aos 30, ela já sabe lidar melhor com esse aspecto peculiar da sua condição feminina. E poupa (excepto quando não quer) o seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a atingiam e quem mais estivesse por perto, irremediavelmente. Aos 20, a mulher tem espinhas. Aos 30, tem pintas, encantadoras trilhas de pintas, que só sabem mesmo onde terminam uns poucos e sortudos escolhidos. 

Sim, aos 20 a mulher é escolhida. Aos 30, é ela quem escolhe. E não veste mais roupa interior que não a favorece. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Também aprende a perfumar-se na dose certa, com a fragrância exacta A mulher de 30, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome. Aos 30, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estagnada. 

Até os seus dentes parecem mais claros; os seus lábios, mais reluzentes; a sua saliva, mais potável. E o brilho da pele não é a oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade. Aos 20 ela rói as unhas. Aos 30, constrói para si mãos plásticas e perfeitas. Ainda desenvolve um toque, ao mesmo tempo, firme e suave. Ocorre algo parecido com os pés, que atingem uma exactidão estética insuperável. Acontece alguma coisa também com os cílios, o desenho das sobrancelhas, o jeito de olhar. Fica tudo mais glamouroso, mais sexualmente arguto. 

Aos 30, quando ousa, no que quer que seja, a mulher costuma acertar em cheio. No jogo com os homens já aprendeu a actuar no contra-ataque. Quando toma a iniciativa é para liquidar a factura. Ela sabe dominar o seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra a sua força na hora certa e de forma subtil Não para exibir poder, mas para resolver tudo a seu favor antes de chegar ao ponto de precisar exibi-lo. Consegue o que pretende sem confrontos inúteis. Sabiamente, goza das prerrogativas da condição feminina sem engolir sapos supostamente decorrentes do fato de ser mulher.”

Honoré de Balzac


Fox

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Someone

Existirá pessoa especial?

Será possível olhar alguém pela primeira vez e deduzir que algo nela tornará tudo diferente?
Num mundo onde tudo é igual, tudo vemos da mesma forma, nada se sobressai nesse tudo.
No entanto, o pensamento não abandona a mente, alimentado pela esperança ou impelido pela ingenuidade que já deveria ter sido obliterada pelo passado sofrido.

Existirá pessoa especial para mim?


Fox

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Crowd


A noite abre-se a todos fria e escura. A música bate forte e elétrica formando um ambiente quente e apoteótico. Observas com atenção tudo o que se passa mas não participas. Não existe a presença daquele “click” que te leve a libertar a euforia contida. Como se fosse resultado de uma distância longínqua de contextualização. A multidão engole-te mesmo quando não o desejas, tornando-te pequeno e apertado. Aqui estás acompanhado por todos mas na realidade estás só. Falta-te o elemento que a tudo traz sentido…
Aos outros não falta e entendes o significado da exaltação que libertam. A lógica ilumina-se deste modo na tua cabeça no mesmo instante em que te apercebes ser um domínio sobre o qual não possuis controlo. Cabisbaixo e conformado te recolhes a ti mesmo.
Levantas os braços abertos e soltas as letras que gravadas na memória se encontram há muitos anos. Sozinha, a tua voz abafa a de outros.


Fox 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Control

Parece esta ser a primeira vez que na minha existência tomo o destino nas mãos.
Como se até aqui apenas navegasse por força da corrente e de ventos oscilantes.

Pergunto-me, se será esta a causa ou o efeito de tudo o que no passado não se perpetuou?

Se for a causa, é porque estava escrito que assim fosse. Se for o efeito, é porque fui eu que escrevi que assim seja.
Em ambas hipóteses, rejubilo-me com a oportunidade que agora detenho.

Que nunca seja tarde para revelarmos o nosso valor.


Fox

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Wild II


A natureza da veterinária não deixava lugar para relaxamento, todas as suas ordens eram realizadas com extremo rigor. Apenas com o Príncipe o assunto era diferente. A ele não podia dar ordens sendo ele o seu patrão, mas bem que lhe apetecia. Estava farta de homens sem garra e a forma como ele levava todos à obediência, deixava-a louca. Andava com umas ideias insanas acerca de descobrir o que se escondia por baixo daquelas tradicionais roupas árabes. Mas isso custar-lhe-ia o emprego e sabe-se lá o que mais.

Mas a vida possui desígnios estranhos que levam a encruzilhadas complexas. Assim, um dia o Príncipe chegou sem se anunciar e assustou-a, enquanto ela lavava um dos garanhões, causando um pequeno acidente com um balde de água. Com todo aquele calor, as únicas peças de roupa que ela envergava eram umas calças de montar bem justas e um polo branco que adelgaçava as suas belas curvas. Com a água espalhada sobre o polo, passou por instantes de veterinária apresentável a participante de um concurso miss t-shirt molhada…

Ela ficou constrangida. Ele ficou ainda mais. Ele observou com fogo no olhar, os bicos salientes dos formosos peitos que ela possuía. Ela observou com deleite o fogoso olhar que ele lhe lançava. Desculpas foram apresentadas com toda a cordialidade. De imediato o príncipe retirou a sua kafia e aproximou-se dela para lhe cobrir o peito. Foi a primeira vez que os seus olhos negros se aproximaram tanto dos verdes que ela exibia com exotismo.

O beijo foi inevitável, a proximidade convidava à união dos lábios. A natureza de ambos permitiu o resto. Depois deste primeiro contato o príncipe parecia selvagem. Envolveu-a nos seus braços com vigor, apertando-a contra si sentiu as suas roupas molhadas. Ela não parou, não conseguia abandonar o êxtase que sentia a galopar no seu íntimo. Com pequenos passos foi andando para trás em direção a uma das baias, puxando consigo o príncipe. Ela puxou-o para dentro. Ele fechou a porta. Estavam escudados de olhares alheios…


Fox

sábado, 4 de maio de 2013

Dark day

Hoje é um dia especial.

Parece que sem saber, esperei décadas por este dia.

É um dia especial, mas negro.

A própria alegria veste-se com esta cor pois será nesta que irá encontrar o significado de toda a sua radiância. Sendo na massa negra constituída por anónimos núcleos de alegria que se constitui o simbolismo de toda esta ação. 

Única. Marcante. Intemporal.


Fox

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Friends

Quando olho por cima do ombro vejo horas transformadas em dias, dias transformados em meses, meses transformados em anos, anos transformados em décadas.

Desconhecidos transformaram-se em conhecidos e conhecidos em desconhecidos. No entanto os parcos amigos que se dignem a identificar como tal, parecem sempre o ter sido. Não consigo apontar quando tudo começou, parece que sempre assim foi.

Quando a amizade é pura não existe principio nem fim, existe a duração.

Abençoado poderei eu ser, por nestas décadas conhecer tal sensação.


Fox