segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Phone


Por vezes fico atónito com o comportamento de alguns humanos. Se o que mais procuramos for o contato e interação com outros das nossa espécie, por que razão quando se junta um grupos de pessoas num ritual de conversação, sacam todos dos seus telemóveis e ninguém fala com ninguém?!

Perante a oportunidade de interagir socialmente com os amigos e conhecidos, optam por se colocar atrás do visor de ferramentas tecnológicas? Mas que sociedade é esta? Que caminho levamos nós?

Presenciei este cenário lamentável num grupo de quatro casais, num qualquer sábado à noite. Sentaram-se, pegaram nos telemóveis e estiveram todos "ocupados" durante largos minutos. Todos cabisbaixos, sem vozes, sem risos, sem olhares. Deprimente.


Fox

12 comentários:

  1. Também já reparei que acontece com muita frequência. Nos adultos e também nas crianças, para onde quer que se desloquem têm de levar atrás consolas, tablets, telemóveis qualquer coisa serve desde que seja tecnologia.

    Ainda ontem sentou-se um casal na praia, relativamente perto de mim, sacaram os telemóveis e ficaram os dois (cada um com o seu) provalmente a ouvir música. Não tenho nada contra, mas se há coisa que EU gosto é de ouvir a natureza, neste caso o mar...

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    1. É um estranho mundo este em que vivemos actualmente. Einstein bem que deixou o aviso... "Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas."

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  2. Infelizmente as pessoas vivem demais o facebook e outras redes sociais
    não se conversa, não se conhece ninguém e depois existem as separações mais que previsíveis.

    Assustador é o que acho desta sociedade em que estamos inseridos.
    Não digo que não vou ao facebook, mas vou quando não saio de casa
    quando não tenho nada mais interessante para fazer.

    Agora viver smp, smp ligado a outro mundo superficial, cheio de ilusões
    noticias deprimentes e afins.

    Saudades de juntar amigos e fazer um piquenique , ah pois é.
    Critiquem-me os mais à frente, mas eu sou do tempo em que conviviamos
    em que dávamos abraços , quando algo de bom acontecia ou mesmo
    só porque sim.

    Adoro conversar e lamento que seja algo que faço cada vez menos.
    A culpa também será minha , mas porque não gosto de conversar com quem não está nem aí para o que estou a dizer.

    Qualquer um tem um bom iphone, tablet e por ai, mas conheço casos em que a comida na mesa escasseia, um bom livro não conhecem e
    vivem de aparências.
    Enfim...

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    1. É mesmo isso. Um mundo de aparências no qual vivo mas nele não cresci. Os anos passam e sinto um eterno saudosismo de outros tempos, de outras sensações, outros ideais.

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  3. Os telemoveis e as redes sociais alteraram alguns conceitos de boa educação. E é muito confuso, as pessoas fazem coisas muito rudes sem "estar defenido" se aquilo é má educação ou não.
    Eu recuso-me a pôr telemoveis na mesa ou atender chamadas ás refeiçoes, mas os meus amigos /colegas fazem-no a toda á hora.
    Inclusive o que dizes, brincam com eles (mandam sms) enquanto esperamos pela comida.
    Fica a mesa toda em silencio, cada um a olhar para o seu brinquedo.

    Nessas situaçoes, o que já fiz, foi sacar do meu livro, dossiers de estudo, ou dos meus phones e começar a ler /estudar ou a ouvir musica ali no meio.
    Normalmente é imediato, (quase) toda a gente percebe a dica, pedem desculpa ,afastam os aparelhos e podemos começar a ter uma refeição normal com comida e boa conversa.... sem o perigo de eu voltar a ler o meu livro ou espalhar os meus dossiers todos na mesa para chamar a atenção do ridiculo que é toda a situação de nos comportarmos em grupo como se estivessemos sozinhos.

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    1. Essa é uma boa estratégia para lhes captar a atenção. Eu sinceramente ficaria um pouco constrangido se tivesse de chamar a atenção para uma coisa tão básica como prestarem atenção a uma conversa.

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  4. Infelizmente é uma coisa que sucede mais frequentemente. Presencio isso todos os dias quando me encontro com amigos no café ou outro local para convivermos, não há ninguém que não passe 30 minutos sem olhar a "porcaria" do telemóvel. Eu passo-me! Já desisti, às vezes, de ir ao café com algumas pessoas por causa dessa razão. Porque, não é que eu não tenha telemovel com internet, com acesso às redes sociais, mas quando estou com amigos é para conviver, falar, etc.
    Mas é como eu digo, as pessoas é que perdem!

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    1. Tanto querem estar "em cima" da comunicação que se esquecem do básico da interacção com quem se encontra frente a eles. Estamos sem duvida a perder muita da nossa humanidade e o gosto pelo contacto físico.

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  5. Olha lá (desculpa ser tão sem cerimónia, mas é que não me apetece mesmo fazer de outra maneira) ... dizia, olha lá, porque raio tens um blog em que o título é, se é que estou a traduzir bem, "eu, e eu sozinho"?!

    Eu e eu sozinho... - Tens a certeza que queres continuar com este nome no blog? A sério, presta atenção no simbolismo da "coisa" ...

    (ao clicar na ligação para aqui ocorreu-me esta cena...)
    (é que dá bem para perceber que sozinho não é coisa que queiras estar ;) , mas sim muito bem acompanhado)

    Beijinhos, continuação, tudo de bom ;)

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    1. Tem esse título pois este espaço se refere a mim e só a mim.
      Sim, tenho a certeza que irei continuar com este título. O propósito não mudou, o título também não muda.
      Sim, de facto gostaria de estar bem acompanhado, mas isso é uma tarefa árdua.

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  6. Até há poucos dias tinha na parede um postal ilustrado com um simbolismo muito forte para mim. O postal foi encontrado numa livraria num momento de…digamos…revolução emocional. Proporcionada por determinada pessoa que tinha surgido, ela também, há pouco tempo. Alguém dava a mão a alguém nesse postal, e a ajudava a subir uma montanha. Esteve colado junto ao sofá o tempo que foi necessário para entender a sua mensagem, que era outra para além daquela que tentei descrever acima, que era mais profunda, mais dolorosa. Num momento, ao olhar o postal entendi, a dor que sentia. Entendi… e, assim, a afixação do postal deixava de fazer sentido. Retirei o postal com a plena consciência que estava não só a tirar um simples “adorno” de parede, mas também a tirar do momento presente, da minha vida atual, uma situação passada. O ato (de retirar o postal) tinha um sentido escondido (para os outros que pudessem reparar; não para mim). Conto isto como exemplo de “simbolismo”. Gostava que me entendesses ;)
    Um título de um blog tem um certo simbolismo, mas não necessariamente aquele que julgarei entrever nas suas letras. Ou então não tem nenhum … [porque, muito provavelmente, cada um saberá de si (… e pouco), e não dos outros (conheces a “máxima”: “o que é dito, diz muito mais sobre quem fala, do que sobre quem/o que é falado”? – a minha perceção da vida, de ti, dos outros, da cor da manhã, da beleza do céu, etc., diz muito mais sobre mim, dos filtros, dos véus que me condicionam, do que sobre qualquer outra suposta “realidade”)].
    Se me tivessem recomendado retirar o postal quando sentia que o devia manter na parede, antes do “seu” tempo, antes daquilo que compreendo agora como tomada de consciência e aprendizagem, ter-me-ia irritado um pouco. Por isso, obrigada por responderes de forma assertiva a um comentário, que, ao reler, se notou rude. Desculpa. E obrigada … (levo de presente um bom exemplo de assertividade ;) ).
    Beijinhos

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    1. Sim, entendi. Eu tenho uma bela frase de Miguel Torga, escrita mais ou menos nas mesmas condições. Mas também não a tiro. Faz todo o sentido por isso mantém-se.

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