segunda-feira, 17 de março de 2014

The Train I


A noite chegava lentamente com o sol a esconder-se no horizonte. Depois de um longo momento de contemplação do pôr-do-sol desde a Ribeira, Sofia caminhava mecanicamente para a estação, distraída com o som rítmico que lhe envolvia os ouvidos. Atrás de si puxava a sua mala rosa choque, com as rodas a ultrapassar todas as pedras que lhe colocavam obstáculo no pavimento. O enorme edifício avistava-se imponente ao longe, com os seus muitos focos de luz a exibirem a nudez da sua beleza arquitetónica. Seria esse o seu objetivo, entrar no primeiro comboio de ligação à próxima estação, para finalmente esperar aí pelo Alfa que a levaria até à capital, enquanto se entregaria ao sono durante as próximas horas.

Depois de tanto caminhar pelas ruas do Porto, sabia-lhe bem ver-se livre do peso da velha mala, agora encostada junto ao seu banco. A cidade era sempre deslumbrante de ser vista, especialmente à noite, mas nunca com uma mala atrás. Apesar de a conhecer desde que se conhece a si mesma, nunca se cansa de observar os seus cantos e recantos tão cheios de romantismo. Sempre que parte sente um vazio no coração causado pela saudade. Olhar pela janela e ver a cidade ficar para trás de si, nunca é fácil. Mas era assim que gostava de viajar, música nos ouvidos e olhar perdido no horizonte. Pelo menos até ao sono lhe tomar conta do corpo e vontade.


Fox + Ana Mar

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