domingo, 12 de junho de 2016

Telescope



Nunca fui muito paciente.

Principalmente quando as decisões repousam na mão de terceiros e estes aparentam estar a operar em modo slow-motion. Nestes instante, desperta-me uma energia no interior que me leva a acender o rastilho, detonar e obliterar tudo em redor.

Gosto de controlar, eu sei.

O problema é que a vida tem momentos em que nos testa, deixando-nos sem qualquer poder de decisão. Ficamos indefesos e apenas podemos observar as cenas a decorrer à frente dos nossos olhos. Para quem gosta de controlar torna-se complicado ter de suportar algo assim. Mais facilmente iríamos embora do que aceitaríamos estas regras.

Mas não podemos.

Mesmo que consigamos deslumbrar a resolução da situação a longo termo, não conseguimos encontrar em nós a paz de espírito necessária para nos manter calmos e suportar a situação.

Só me apetece explodir.


Fox

10 comentários:

  1. Nós humanos gostamos de ter poder de decisão sobre a nossa vida, o nosso futuro. Quando essas decisões estão perante as maos de terceiros parece que essa decisão nunca mais acontece. As horas parecem dias, os dias parecem semanas e por ai adiante.
    Ficamos a perguntar a nós mesmos, será que quem está a tomar a decisão está a pensar nela, que decisão vai ser tomada, quando nos vai ser comunicado. A nossa cabeça anda a mil, ficamos impacientes, irritados e parece que tudo acontece de modo a nos levar a pensar que a decisão não vai ser tomada.
    Espero que essa decisão chegue rápido para conseguires controlar tudo novamente.

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    1. Sim, por instantes até pensamos que nem possuem as capacidades necessárias para solucionar a questão...
      A espera arrasta-se e tudo permanece imutável. Seria fácil de lidar se não fosse causadora de sérios danos na minha pessoa. Enfim, faz parte.

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  2. Posso ser muito sincera?
    Antes tu que eu! :p
    Isso é terrível, bem sei..
    Boa sorte Fox :)
    M

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    1. Claro, sinceridade acima de tudo.
      Evidentemente. Cada um por si, não é mesmo?
      Obrigado.

      Sê bem vinda, Mia. ;)

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    2. Não concordo com o "cada um por si".
      Percebo perfeitamente a tua necessidade intrínseca de controlo, faz também parte da minha natureza.
      Percebo também que estejas por um fio; afinal, está pendente uma decisão que não será tomada por ti, apesar de te respeitar, que tarda a ser tomada e afecta-te o bem-estar, pois vês-te impotente.
      Não percebo, porém, porque tens que estar por tua conta e risco numa situação delicada; mesmo que essa decisão esteja nas mãos de outrem, partilhar a nossa ansiedade e frustração com as pessoas certas, em quem confias, alivia sobremaneira o teu estado de tensão. Mesmo que essa(s) pessoa(s) também não tenham o controlo da situação. Como tu.
      Mas estão lá, para o que der e vier.
      E isso faz toda a diferença...

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    3. Mesmo partilhando o fardo não vejo a tensão a ser aliviada.
      Ou sou eu que me encontro num estado muito elaborado de "pré-explosão" ou então não sei o que se passa. As poucas pessoas que conhecem a situação não compreendem como tenho conseguido ser tão paciente, portanto, talvez já tenha tolerado mais do que me é possível.
      Não me convinha nada explodir...

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  3. Eu associo o "cada um por si" um pouco ao egoísmo, e eu confesso que comentei o teu post desta forma para te arrancar um sorriso por mais pequenino que fosse (não faço a mínima ideia se consegui). E esta é a forma que tenho de ajudar :)
    Portanto, continua a ser cada um por si (porque ninguém pode passar por certas coisas por ninguém), mas com um pouquinho de solidariedade :D
    Obrigada :)
    Mia

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    1. Agradecido pela gentileza, Mia. ;)
      Sim, tens razão. O percurso é individual apesar de ser feito em companhia. Somente assim poderemos crescer.
      Em parte, o sacrifício de suportar o que já suportei, prende-se com o entendimento de acreditar que alguns fins justificam os meios pelos quais os procuramos atingir. Não tem sido fácil mas se não me matar, irá tornar-me bem mais forte.

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  4. E quando a decisão é tomada mas não bate certo com o que tínhamos em mente? Não é justo as decisões de terceiros terem tanto impacto na nossa vida. É frustrante e dá cabo da minha sanidade mental.

    Espero que a decisão seja do teu agrado. :)

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    1. Quando isso acontece consegue-se ver em primeira mão a revolta a ferver em brasa. Para pessoas como eu, é extremamente difícil conseguir gerir algo assim. Tenho perfeita consciência que faz parte da vida, todavia, não podemos ir contra a nossa natureza e ser mais brandos.

      Sê bem vinda, Anita. ;)

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