quinta-feira, 7 de julho de 2016

Restart II




O elevador abriu as portas dois pisos abaixo da superfície. Estava escuro como a noite mas ela conhecia a topologia do espaço. Caminhou confiante até ao seu destino. Apontou o comando e pressionou o botão. Nada. Pressionou novamente. Nada. Pressionou novamente. Nada. Bufou, irritada. 

Observando o comando com um olhar muito pouco entendedor, procurou descortinar por que razão o automóvel não destrancava as portas. Seria falta de pilha? Estaria avariado? Não conseguiu descobrir. Inseriu a chave na fechadura e abriu a viatura. Sentou-se. Inseriu a chave na ignição e rodou. Nada. Rodou novamente. Nada. Rodou novamente. Nada.

Bateu no volante e gritou cheia de raiva. O dia começava de forma complicada. Junto à casa do lixo, o vizinho do 4D observava a triste cena com um saco de plástico preto na mão e um sorriso de escárnio nos lábios. 

“Mulheres” - pensou para si mesmo abanando a cabeça.

Dentro do carro, ela começava a desesperar. O automóvel não dava sinal de vida e ela queria sair. Logo hoje que tinha vontade de espairecer, gastar dinheiro, tentar a encontrar um novo caminho, acontecia-lhe isto. Quase com as lágrimas nos olhos procurou o telemóvel dentro da carteira. Procurou mas não o encontrou. Ele aproximou-se da viatura, silencioso como um gato.

- Precisa de mama. – disse ele numa voz rouca e autoritária.

- Desculpe?! Preciso do quê?! – respondeu ela de forma bastante agressiva.

- O carro. Precisa de receber “mama”. Energia para a bateria.

- Mama? Bateria? Não percebo nada do que me está a dizer.

- Abra o capot. Eu vou buscar o meu carro.

Assim que deu a ordem, virou costas e desapareceu em direção ao fundo da garagem. Ela ficou parada com o telemóvel na mão, a ver as costas espadaúdas do moreno do 4D afastarem-se. 

- Abro o capot?! Mas já manda?

Alguns instantes depois, ouviu-se o poderoso som de um motor. O vizinho do 4D parou o seu jipe em frente ao automóvel dela. O capot continuava fechado. Ele saiu com os cabos na mão e olhou-a nos olhos. Ela respondeu com desafio ao contato visual.


Fox

13 comentários:

  1. Quer-me parecer que a química entre os dois daria energia suficiente para mover um tanque de guerra!... ;)
    O que se seguirá? O holocausto?!
    Aguardarei... Pacientemente.
    ;)

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    1. A dela daria sim, tem imenso mau feitio. ;)
      Não tarda está por aí mais uma parte do enredo.

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  2. Ela não tem mau feitio, tem uma personalidade forte e confiante!
    Já ele é um bruto arrogante...

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    1. Achas que sim?
      Realmente criei-o com um feitio peculiar...

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    2. Pergunto-me se será projecção... ;)

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    3. Nada disso. Sou bruto mas tenho sensibilidade para lidar com mulheres.

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    4. Calma... Eu é que não resisti a provocar-te! (e valeu a pena!) ;)

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  3. Interessante...
    Uma mulher com mau feitio e um homem bruto e arrogante com uma grande química? hum..
    O que será que vai sair daqui? ;)

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  4. Hummm lá diz o ditado os oposto atraem se! Mulher nunca tem mau feitio, mulher tem uma sensibilidade diferente. ;) onde irá está atração entre os dois?! Como sempre nos deixas curiosas para saber o que vai acontecer. :)

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    1. Nunca? Olha que não sei... ;p
      Vais ter de esperar um pouco mais para descobrir.

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