sábado, 27 de agosto de 2016

Old Time




Que tempo vil e decrépito é este em que recebi o privilégio do sopro de vida? 

Obscuro momento de uma civilização moribunda de sentimentos e corrompida de princípios. A génese da evolução que muito dignifica quem enverga orgulhosamente o título de desenvolvido, repousa sobre uma trindade fútil e influenciadora de comportamentos sub-humanos. Dinheiro, poder e sexo. 

Elementos procurados singularmente, ou sob a forma de obscuras combinações que garantem nada mais que o sacrifício do corpo e a corrupção da alma. Na sua procura, perde-se a verdadeira essência da força motriz que devia iluminar e guiar o nosso espírito, rumo a um estado superior de existência. O bem superior é e será somente um, a felicidade. Elemento superior, pelo qual tudo mais se faz, não representando um meio para um fim, mas sendo em si mesmo um fim. O único.

Desperto diariamente do repouso, de olhos abertos mas sem repousar da saturação que envolve aquele que inspira este ar putrefacto. Os outros, muitos mais do que imensos, despertam de olhos mais cerrados do que aquele que descansa durante a escura e fria noite que o abraça. Perdidos nesta ilusão instantânea e vazia, ocupam os irrecuperáveis segundos que lhes foram atribuídos a angariar riquezas mundanas que nunca poderão possuir. 

Aquilo que não pode ser fundido com o nosso próprio ser nunca é verdadeiramente nosso, pois será sempre pertença do mundo. Aquele que inevitavelmente deixaremos quando por fim, chegar a hora em que se apague a chama que nos ilumina o ser.

Se nada mais eu tiver do que aquilo que sou, serei rico sem dinheiro e serei poderoso sem poder, mas serei fiel à minha pessoa e à natureza que me anima o corpo. 

Serei eu e somente eu.


Fox

4 comentários:

  1. Estás inspirado, caro Fox!
    É um texto profundo e intimista, porém, malogradamente universal.
    A demoníaca trindade que destacas faz mais e mais vítimas a cada minuto que passa; as pessoas deixam-se ofuscar pelo aparente brilho tentador desses elementos e são ludibriadas, influenciadas, manipuladas por esse mundo cruel, obscuro e violento, sem remissão possível, tamanha a deturpação que lhes corrói as almas.
    Partilho em absoluto a tua crença. Já somos dois, uma multidão! Estou em crer que outros tantos se juntarão. ;)

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    1. Tenho os meus momentos... ;)
      É o que faz nunca terem lido Aristóteles. Perdem tão facilmente o sentido desta existência única e intransmissível. Enfim.

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  2. A continuação da reflexão do ser! :-) Bela introspeção.

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