terça-feira, 16 de agosto de 2016

Restart IV




Enquanto ele a lambia, ela percorria o seu memorial de experiências sexuais. Não encontrou nenhuma comparação humanamente possível. Pareceu-lhe ser este, o mais próximo que ela algum dia imaginou estar de um canídeo, em termos sexuais. A coordenação e habilidade em utilizar a língua, aliás, a falta delas, deveria ser perfeitamente comparável, assim como a aparente impossibilidade de se cansar de a usar. No princípio pareceu bastante estranho mas depois de ser lambida em todos os cantos, ela estava a ficar verdadeiramente excitada. Rapidamente se ouviu a arfar.

Deu-lhe um forte puxão no cabelo e puxou-o para cima. Ele dirigiu-se imediatamente à sua boca. Os seus lábios carnudos eram puramente irresistíveis. As suas línguas dançaram juntas e separadas, num contato algo tosco. Ela sabia bem o que fazia. Ele não. Já era tarde demais para parar, para o bem ou para o mal, teria de ir até ao fim. Mas também não adiantava de muito alongar a experiência. Procurou-o com a mão e sentiu-o duro. Bem duro. Sorriu.

Encostou gentilmente os lábios à sua orelha e sussurrou-lhe:

- Vá, possui-me forte e feio! Prometo que aguento...

Rodou o corpo, baixou-se, colocou-se de quatro no chão e aguardou com expetativa.

Ao ver aquele rabo empinado e a enorme quantidade de lubrificação que lhe corria pelas pernas, o seu instinto fê-lo ficar louco de desejo. Só lhe faltava uivar… Desapertou o cinto, baixou as calças, colocou-se de joelhos e penetrou-a com uma brutalidade anormal. Ela acusou o desconforto do gesto animalesco mas não se queixou. Começava a gostar de sentir a dor. 

Ele agarrou-a firmemente pelas ancas e iniciou um ciclo vigoroso e agressivo. A cada investida, as suas unhas deixavam marcas na pele morena e propagava-se uma batida seca, seguida de um gemido.

Era notória a sua falta de destreza mas a forma rude com que ele a tratava deixava-a verdadeiramente excitada. A sua respiração começou a ficar cada vez mais pesada e as sensações que lhe percorriam o corpo eram deliciosas. Tinha a pele arrepiada e sentia-se maravilhada com aquela agressividade. Melhor sensação do que a que estava a sentir, só se recebesse umas palmadas no rabo.

- Bate-me!

- O quê?!

- BATE-ME! – Gritou ela com autoridade na voz.

Era tarde demais. Ele desconcentrou-se e não se conseguiu controlar. Se é que o sabia fazer de todo. Soltou um gemido que se pareceu com um uivo. Veio-se dentro dela. Ela sentiu o líquido quente e pegajoso a escorrer, assim que ele saiu de dentro dela. Havia algo naquele contato distante e animalesco que lhe despertava um fogo incontrolável. Sorriu.

Ele sentou-se, encostou-se ao contentor do lixo e procurou recuperar a respiração. Ela levantou-se, sacudiu as mãos, ajeitou o vestido e saiu. Ele chamou-a e esticou o braço para a agarrar. Ela ignorou o gesto e seguiu. Dirigiu-se ao elevador. O seu caminhar era novamente confiante e decidido. Sorria.

Agora sabia o que lhe faltava. O vizinho do 4D tinha-lhe mostrado. Ele não tinha a experiência que ela necessitava mas certamente alguém a teria…

Fox

5 comentários:

  1. Tenho que dizer-te que poderias dedicar-te a este tipo de escrita! Está muito bom, tens um encadeamento da narrativa bastante escorreito, fluído, nada estático. As personagens estão bem conseguidas, diferem do convencional. E a trama... Como defini-la? Quente, intensa, brutal!
    Mal posso esperar pela continuação!... ;)

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    1. Obrigado, ana.bb.
      Quanta simpatia. ;)
      Desta vez pensei propositadamente em criar personagens distintas. Soube mesmo bem cria-las com limitações.
      Que género de continuação?

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    2. 😊
      Se não gostasse, nem sequer comentava. Sou alérgica a mentiras, muito menos para agradar.
      Ora que género de continuação!... Do género que continua a história! :)
      Quero saber com quem, como, é que ela vai experimentar coisas novas, claro. ;)

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    3. Isso seria inédito, nunca criei uma sequela para nenhuma história ou personagem. Terá de ser algo a pensar. ;)

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    4. Pensa. ;)
      Tens bastantes ingredientes para uma sequela. Supera-te!

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