quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Open



Desde que me lembro, sempre apreciei o dom da palavra. É mágico.

Tenho alguma facilidade para o articular e encanta-me desenvolver narrativas extensas, mas encontro alguma dificuldade quando são as palavras que me estão aprisionadas cá dentro. 

Aquelas que guardamos na máquina que nos dá vida.

Essas são difíceis de pronunciar e de fixar pela escrita. A minha personalidade complexa e fechada não me facilita nesta missão mas a idade traz-me alguma iluminação e aprendizagem acerca do que realmente tem importância na vida.

Preferia ter escrito pela minha própria mão, tal como fiz noutras ocasiões, mas as circunstâncias não o permitiram. Nunca iria conseguir dormir mais um dia, sabendo que algo ficou por dizer.


Fox

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Words



Todos nós temos dias bons e dias maus. Depois temos os dias muito maus. 
Nesses, vemos a delicadeza de algumas pessoas, mesmo que somente disposta em palavras.

A vós, o meu agradecimento.


Fox

Numb



Entorpecido.
É assim que me encontro neste momento. Sem ação. Sem direção.
Sinto a pesada mão da realidade a exercer força sobre mim e não sei o que fazer.
Não sei mesmo o que fazer.


Fox 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Dirty City IV




O cigarro é um dos poucos prazeres a que se entrega, sempre que tem condições financeiras para os poder comprar, claro. Quando mal tinha para comer, não se preocupava com cigarros. Não podia. A vida é constituída de prioridades e no que a isso se refere, Kurt sempre teve as suas bem definidas.

A pouco mais de meio ia o cigarro quando ao passar pelo beco da rua 59, ouviu os gritos. Não o fizeram parar, nem tão pouco abrandar o passo, a cidade é mesmo assim, pensou para si. Uns são fortes, outros são fracos, todos nós temos a nossa própria luta.

Mas o ruído aumentava cada vez mais, os gritos começavam a ser de facto horripilantes e desesperados. Tanto que surtiram nele uma ligeira curiosidade em espreitar o que se passava. Parou tentando vislumbrar entre a enorme quantidade de chuva o que se passava no fundo do beco.

- Socorro. Ajudem-me, por favor. – Gritava algures uma mulher.

- Tapa-lhe a boca! – Ordenou alguém.

- Shiuuuu, fofinha, não faças barulho. Ou obrigas-me a fazer-te um sorriso novo nessa cara tão bonitinha. - Disse outro numa tentativa de falso apaziguamento, enquanto lhe tapava a boca.

- Porra! A cabra mordeu-me! – Grita o segundo.

- Deixa-a comigo, eu já lhe mostro. – Diz o primeiro, pouco antes de lhe dar um soco na cara que a deixou perto da inconsciência.

Kurt observa a cena e debate-se interiormente. Os seus passos orientam-se em direção a casa mas rapidamente se voltam para trás e novamente em frente. Está indeciso, a sua mente funciona de forma acelerada. Quando imagina a sua luta pela sobrevivência, normalmente apenas considera a que ocorre entre homens, que tal como ele, procuram levar a sua vida o melhor que conseguem. Mas isto é diferente. Dois homens a agredir e tentar violar uma mulher, bem mais pequena em tamanho, não é de todo uma luta pela sobrevivência. Pelo menos, não a deles.


Fox

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Objective



Dei tudo o que tinha, desgastando bem mais do que somente a componente psicológica. Agora está na hora de refletir e reorganizar as minhas prioridades. 

Sinto cada vez mais, a necessidade de me focar em mim mesmo. Talvez seja o momento ideal para o fazer e este o hobbie perfeito para o conseguir.


Fox

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Dirty City III




Nunca foi muito falador, por isso, o dia-a-dia na oficina é silencioso como um cemitério, excetuando ocasionalmente o ronronar dos motores e o som das ferramentas a caírem no chão. Ao longo da sua vida habituou-se a apenas responder quando lhe fazem perguntas e pouco mais. Se Douglas pensou que com Kurt ia ter alguém com quem conversar, equivocou-se redondamente.

São estes biscates que faz em motores, numa oficina pouco limpa e um tanto duvidosa na orla oeste da cidade, não muito longe do seu armazém, que lhe dão o sustento para sobreviver. Ele gosta daquilo que faz. Sente-se calmo e a sua mente clarifica-se quando tenta concertar o que está estragado.

Normalmente sente-se bem a agredir e a destruir mas desde que encontrou Douglas e a sua imunda oficina, encontrou também uma parte de si. Uma faceta que desconhecia mas que o consegue complementar. De alguma forma, sente-se realizado em recuperar o que aparenta não ter reparação. Um pouco como ele próprio, um veículo sem conserto. Talvez seja apenas uma forma curiosa da vida ser irónica consigo.

Os seus dias começam cedo, levando-o a percorrer a pé todo o caminho sem ver viva alma durante todo esse tempo. Não é nada que o aflija, normalmente mantém-se afastado dos outros. Não gosta de dar confiança a ninguém, nem tão pouco é hábil com as palavras, por isso aprendeu que o melhor é estar calado.

Depois de mais um dia de trabalho, sem hora definida para tal, normalmente depende da decisão de Douglas, volta a efetuar o exato percurso inverso. Sem paragens nem distrações, de mãos nos bolsos e olhos na estrada, faz o seu caminho. O dia de hoje não foi exceção, já com o dia a escurecer, Kurt estava a arrumar ferramentas quando ouve algures na oficina a voz de Douglas.

- Kurt, antes de ires lava ali o Chevy. Vou ligar ao Jack para o levantar amanhã de manhã.

- Sim, senhor. – Responde tacitamente.

As lavagens não são a sua especialidade, nunca se deu bem a retirar a sujidade das coisas. Mas agora trata-se de uma das suas funções e a repetição apenas o fará ser cada vez melhor. Munido de balde e esponja, entrega-se à sua última tarefa do dia com redobrada energia. Já sente o cansaço acumulado espalhar-se pelos músculos mas a ideia de descansar no armazém parece-lhe cada vez mais atrativa e dá-lhe alento. Despachando as ultimas arestas das jantes e dando uma borrifadela de água com a mangueira, dá o trabalho como terminado.

- Já terminei. Posso ir? – Pergunta sobriamente.

- Sim. Até amanhã, Kurt. É melhor levares um guarda-chuva, tens ali muitos no escritório.

Mas ele já não estava lá para ouvir toda a frase de Douglas. Pegou no casaco e saiu para a noite. Tirou um cigarro e abrindo o zippo, criou a chama para o acender. A chuva caía com intensidade. Esta prometia ser uma noite fria, escura e molhada. Mas a chuva não mata, por isso, Kurt puxou o capuz do casaco sobre a cabeça e iniciou o seu caminho.


Fox

sábado, 10 de setembro de 2016

Legs



Era uma destas... Ou duas.

Ir ao ginásio deixa-me ainda pior do que já sou. 

Assim fica complicado.


Fox

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Womanizer



"...mostra que as mulheres estão mais interessadas em ter uma relação com alguém com traços de personalidade narcisista."

Interessante. Muito interessante...

Acho que agora não é preciso ter tanto receio do que sou. Afinal de contas, se estão recetivas a estas características, estão preparadas para o "choque".


Fox

domingo, 4 de setembro de 2016

Music everywhere XXIII


Killswitch Engage - Always

In these moments of loss and torment
When the vast skies don't seem to call to you
When the weight of this world bears down
And the stars have fallen like tears

I am with you always,
From the darkness of night until the morning
I am with you always,
From life until death takes me

Monuments built in remembrance of me
But monuments fade, erode and decay
The memories are all that remain
As far as east is from the west, remember

I am with you always,
From the darkness of night until the morning
I am with you always,
From life until death takes me

When hope seems lost down and lowly,
I am here with you always

I am with you always,
From the darkness of night

I am with you always,
From the darkness of night until the morning
I am with you always,
From life until death takes me

I am with you always,
From life until death takes me


Fox

sábado, 3 de setembro de 2016

Dangerous




Perigoso mas apetecível.

Foi assim que recentemente se referiram à minha pessoa. Um homem de personalidade claramente vincada, hábil na defesa acérrima dos seus princípios e opiniões, porém, capaz de despertar simultaneamente um misto de excitação e medo.

Para se usufruir de uma faceta, tem de se enfrentar a outra.

Vós sois mulheres de arriscar na excitação? Ou somente jogar pelo seguro?


Fox

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Look



Desde que me consigo recordar, sempre adorei olhar as mulheres nos olhos. Para mim é uma forma de expressão mais natural do que a palavra. Consigo libertar mais facilmente a minha ferocidade num olhar do que a tentar exprimir em mil palavras.

Um jogo de enorme sedução, onde a palavra é limitativa e o gesto desnecessário. Meras frações de momento, onde muito se diz sem que ninguém fique a saber com certeza, o que acabou por ser dito. E isso importa? O que conta são os instantes em que se vive com tamanha intensidade.

Parece que no nosso dia-a-dia olhamos para tudo sem nada ver, mas ocasionalmente prestamos atenção aos olhos de determinadas pessoas. Momentos especiais. 

Priceless.


Fox