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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Eye Look

É no cerne das mais pequenas e elementares circunstâncias da vida que reside a beleza de toda esta existência. 
Num mero olhar descobre-se todo um outro mundo. Algo novo, belo, inexplorado. A sua contemplação leva-nos a perder o rumo do tempo e do espaço que nos circunda. Nele mergulhamos sem receios ou inibições. Nenhuma amarra nos prende. Nenhuma onda se opõe. Desejamos tudo sem exigir nada. Recebendo o mais pouco que seja como um tesouro.  

E o olhar que mudo nada diz, tudo demonstra.


Fox

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Blue

Deito-me sem cansaço que me derrube, fecho os olhos sem sono que me sossegue. Imobilizado permaneço, ouvindo o selvagem som que se propaga. A luz aquece-me o corpo, a brisa acalma-me a pele. Perco-me entre sonhos acordados e realidades adormecidas. O tempo não existe enquanto a paciência dura. 

Mas o chamado do azul é poderoso.

Entrego-me ao abraço salgado que me desperta desta letargia e entre empurrões molhados sorrio inebriado com a sensação de ausência de controlo.


Fox 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Empty shell

O tempo mata.

Cada dia mais um pouco.

É um silencioso assassino de emoções e sentimentos. Não sendo travado, não deixa mais do que apenas um invólucro vazio. Vazio e em fuga.

A fuga sempre foi mais aceitável do que o confronto. Todos fogem do sofrimento, em especial aqueles que feridos outrora saíram de um confronto.

No entanto, quanto mais fogem mais morrem, até encontrarem o seu derradeiro final.


Fox

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Dance alone

A singularidade parece prevalecer perante a união.

Raras são as vezes em que desejamos tão intensamente algo que quebramos barreiras que de outro modo não nos atreveríamos. 
Cegos por fantasias que nos iluminam a alma e aquecem o coração, desencadeamos um ritmo desenfreado de ações que envolvem e mantém a pessoa refém. 
Mas por vezes descobrimos que nem sempre o compasso bate ao mesmo ritmo, sendo que o resultado que daí resulta pode não ser o desejado.

Se um não quer, dois não dançam.


Fox

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Crowd


A noite abre-se a todos fria e escura. A música bate forte e elétrica formando um ambiente quente e apoteótico. Observas com atenção tudo o que se passa mas não participas. Não existe a presença daquele “click” que te leve a libertar a euforia contida. Como se fosse resultado de uma distância longínqua de contextualização. A multidão engole-te mesmo quando não o desejas, tornando-te pequeno e apertado. Aqui estás acompanhado por todos mas na realidade estás só. Falta-te o elemento que a tudo traz sentido…
Aos outros não falta e entendes o significado da exaltação que libertam. A lógica ilumina-se deste modo na tua cabeça no mesmo instante em que te apercebes ser um domínio sobre o qual não possuis controlo. Cabisbaixo e conformado te recolhes a ti mesmo.
Levantas os braços abertos e soltas as letras que gravadas na memória se encontram há muitos anos. Sozinha, a tua voz abafa a de outros.


Fox 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Clear

Pode o cristalino ser profundo?

Observamos a superfície sem nada ver. O encanto que a beleza da cor possui, captura-nos num perfeito êxtase  Leva o tempo a correr como areia entre dedos, sem pensamento algum trespassar a mente. Apenas o acontecimento sucede.

Olhar o olhar sem olhar o que olhamos.

Mas não deixamos de olhar, tentando encontrar o fim da profundidade que não existe.
No fim, apenas a cor é real.


Fox

quinta-feira, 28 de março de 2013

Rain


Dias em que as gotas caem grossas e sonoras no chão, são aqueles em que nos enclausuramos entre paredes.
Algures no frio silêncio do cimento, o relógio marca o compasso mecânico que impede a fuga para o sonho.
Sem escolha, o animal resignado aceita o penoso labor e entrega-se ao confortável abraço do assento.
A manta aquece o corpo. A bebida aquece o espírito. O livro aquece a alma.


Fox

sexta-feira, 22 de março de 2013

Fire

Alguns dias são de fogo.
Ou
Seremos nós a acordar em fogo.

Aquele despertar é semelhante a qualquer outro mas algo se revela distinto em nós. Uma vontade animal que domina, controla e deseja. Urge avassaladoramente a necessidade de sentir a pele, comandar o toque e possuir o corpo. Perder-se nas garras do desejo com o calor corporal a aumentar como uma febre de loucura.

Sentir e ser sentido
Tocar e ser tocado
Beijar e ser beijado

Desperdiçados serão estes dias, quando não se pode entregar corpo e alma aos prazeres do desejo. Apenas de vontade e intenção, não se sacia nem corpo nem alma, somente a imaginação.


Fox

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dry ink

Se fosses feita de tinta diria que eras uma tatuagem.

Feita numa época perdida lá longe no passado, onde reinavam a pura alegria e a jovial inocência.

Profundamente cravada na carne que existe debaixo da pele tocada por muitas depois de ti. Nada apaga o teu toque, marcado como agulha que violentamente rasgou a pele deixando traços de escarlate sofrimento.

Seria de esperar que o tempo levasse a tua cara, o teu corpo, o teu pensamento, quando te esqueci. Mas não levou. Não leva. Será que irá levar?


Fox

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Again

Gostaria de te voltar a ver.
Gostaria de me voltar a mostrar.
Gostaria de te voltar a ouvir.
Gostaria de me voltar a expressar.

Só um instante.

Um limitado momento apenas, para que pudesses ver no que me tornei e onde já longe cheguei.
Deixar-te cuidadosamente observar, no imediato o passado e presente comparar, imaginando o futuro ainda para chegar.

Por fim te dizer na face que já repetidamente toquei:

Aprecia o que perdeste, foi este o diamante que não lapidaste, oportunidade não deste mas melhor prémio não recebeste.


Fox

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

You were

Foste um desejo.
Foste depois uma realização.
Foste até uma presença corpórea.
Foste reduzida a uma mera memória.
Foste.

Agora pareces um fantasma. Estás, sem nunca mais teres estado. Uma presença sem presença, que me assombra quando vejo os teus traços retratados noutras. Ninguém me disse que seria tão árduo e penoso, o labor de te erradicar a essência do corpo, da mente, do coração e da alma. Ainda me pergunto, o que de tão importante teria para mim alguém tão imperfeito. Passados todos estes anos continuo sem o saber. Apenas eras.

A única certeza  que outrora tive e ainda hoje tenho é que não te conheço apenas desta vida...


Fox

sábado, 17 de novembro de 2012

Light



Que dizer acerca daquele instante em que se abre o seu sorriso como uma explosão de luz que ilumina todo um mundo de escuridão. Puro raio de sol que traz calor ao mais frio dos blocos de gelo que bombeiam sangue. Tenho saudades de momentos desses em que me sinto hipnotizado por algo mais do que o olhar cobiça. 

Mas…

A carne é tremendamente fraca e as presas pedem sangue, não há lugar nem tempo para ilusão. Sempre foi a ação que me manteve vivo e distante do estado de entorpecimento. Escondo no canto os resquícios de calor e deixo o frio animal tomar conta do individuo. 


Fox

sábado, 10 de novembro de 2012

Feline


De Olhar rasgado
Sinto Corpo arrepiado
Com Ritmo acelerado
Pelo Toque desejado



Deveria o meu olhar ser o arauto da palavra muda que escondo atrás dos meus pensamentos. Deveria esta ser revestida de substância oral que lhe embutisse matéria física. Deveria com ela então, fazer o que se já tiver sido feito, nunca o foi na tamanha proporção com que merece ser. Deveria. 
Mas não será. 

Porque algumas coisas são melhores quando apreciadas no silêncio de um olhar.


Fox

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Wolf


Pareço o cordeiro.

Mas não ajo como tal.

Pareço inofensivo.

Mas a natureza não me revela assim.

Aqui pareço apenas mais um.

Mas estou camuflado por toda esta lã.

Mas eu sei o que sou…

Sou o lobo.

À solta bem no centro do rebanho…

O olhar dilacera o que as presas não podem morder. As garras dissimuladas anseiam pelo momento de correr finos traços na fina pele da vítima. A língua está húmida com a conceção do sabor. Os músculos retesam-se na expetativa da ação.

O predador está alerta…


Fox

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Time


O pêndulo dourado oscila.
No seu compasso metódico.
Range num repetitivo som metálico.
Dizendo a quem queira que o tempo flui.
Mas não o vejo a passar por mim.
Não é uma identidade corpórea.
É apenas um mero sopro.
Que me conta a vida.



Nunca até agora tive a percepção de não deter tempo suficiente. Muito é relegado em prole de outro rumo.



Fox

domingo, 30 de setembro de 2012

Awakening.



O despertar dá-se num mero instante. Tão rápido como o clicar de um interruptor. Mas a perceção de onde nos encontramos é mais lenta. Meros instantes perdidos na procura de uma realidade que tenha noção. Onde estou?

O aroma do teu cabelo inunda-me. O calor do teu corpo aquece-me. A suavidade da tua pele toca-me.
Descubro o traço identificativo deste novo dia. É um daqueles poucos de descanso. Dá-me uma tranquilidade aconchegante saber que hoje não sou regido pelas areias do tempo. Deixo-me ficar, observando de olhos encerrados.

A cama suporta-nos. O lençol cobre-nos. A janela abriga-nos.

Ouço lá fora a chuva que cai ritmada. Atira-se de forma mortífera contra o vidro como se o conseguisse ultrapassar. Mas não passa de uma infrutífera tentativa. Não invade o saboroso calor que encontro no abraço em que te tenho. Aperto mais, sentindo a tua face no meu peito.

Tu dormes. Eu não durmo. O ambiente dorme.

Abro os olhos e aprecio a beleza do teu dormir. Esboço um ténue sorriso. Deposito um beijo na tua testa. Permaneço neste limbo delicioso de conforto, calor e cumplicidade esquecendo o rígido controlo temporal que o contador de ciclos apresenta.

A tua mão mexe. A minha mão mexe. Ambas se procuram.

Despertas silenciosa, quase muda. Os teus lábios expressam o bom dia por ti. Tens a boca quente. O corpo quente. A mão quente. Junto com a minha se entrelaçam. Tocam-se. Dançam a sua dança. 

A fria chuva cai. O frio vento sopra. O frio frio se expande. Lá fora. Aqui dentro não existe Inverno. É apenas um habitat regulado. Por nós. 

O teu corpo move-se. Procura o seu encaixe no meu. Mãos entrelaçadas. Corpos unidos. A perfeição é atingida. É nossa.


Fox

domingo, 23 de setembro de 2012

Writing V


A escrita tem tanto de fantástico como tem de louco.
Por vezes, loucas ideias invadem a mente de quem escreve, dando asas à imaginação através de formas indefinidas.

Sendo apenas da minha autoria, neste caso irei trazer-vos uma corrompida versão em quatro partes de algo que todos conhecem. Será uma apresentação mesmo estranha...
Fiquem por ai nos próximos Sábados...


Fox

sábado, 8 de setembro de 2012

Writing IV


O vento aparenta-se favorável à escrita...
As co-autoras escolhidas tem surgido envoltas numa aura de grande inspiração, de modo que o trabalho voa.
Assim desta feita, venho publicitar o trabalho que será de apenas uma publicação, que verá a luz na próxima Terça-Feira às 10h.
É de uma natureza diferente, de aspecto mais abstracto, um tanto noir.  Foi uma ideia gerada e iniciada pela Lost Lenore, na qual só entrei e coloquei o meu cunho, depois de sintonizado com a sua escrita bem distinta da minha. Gostei bastante do resultado obtido, espero agora que também seja do vosso agrado.
Este contrariamente ao The Glass House, apenas possui um ponto de vista, de modo que foi escrito a duas mãos.

O mesmo será então apresentado à mesma hora no blog da co-autora Finding Lenore
Aproveitando a oportunidade de agradecer à Lost Lenore pela paciência, dedicação e tempo disponbilizado para a escrita. O meu obrigado.


Fox

domingo, 2 de setembro de 2012

Writing III

 
Chega por fim a tão esperada hora. Demos a história por terminada, após umas semanas de imaginação, escrita e revisão. Foi um árduo trabalho, aquele que tivemos a tentar criar um enredo plausível em todos os seus aspetos. Ambos ficamos agradados pela experiência, revelando-se algo tremendamente enriquecedor.
Uma vez mais agradeço à co-autora, que se demonstrou muito atenciosa e aberta à minha proposta desde o momento inicial. Confiando apenas na minha vontade e ideia rasurada, esqueceu a minha completa inexperiência deste mundo da escrita, abraçando a ideia com muita dedicação. A ela o meu obrigado.

Decidimos atribuir à obra o nome de "A Casa de Vidro", que no meu blog irá ser apresentada como "The Glass House", como já é meu apanágio de apresentar os títulos na língua universal.
É uma obra extensa para o género e forma de apresentação, creio que ultrapassa as 30 páginas. Mas depois de soltar a minha imaginação, o enredo adensava-se mais com a minha intenção e as descrições dela apenas o aumentavam mais e mais ainda. Apresenta-se com duas formas de visão distintas, duas personagens que passam por uma experiência "quente" e a contam cada um à sua maneira.
Espero que não seja para vós uma monotonia esta leitura, foi escrito com muito prazer, não apenas por e para nós, para também para vocês.

A co-autora escolhida por mim para esta aventura, foi a Moon* do blog Secrets Of The Moon
Também irá ser apresentado naquele espaço a obra, à mesma hora e no mesmo dia.

Por ser um enredo tão grande, este será dividido em várias partes, a serem apresentadas aqui todas as Segundas e Quintas às 10h00, numa espécie de pequena serie.

Fiquem por ai. Espero que apreciem a aventura...


Fox

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Writing II



Pois é, como disse no outro post, surgiu-me a ideia de escrever algo em parceria.
Seria a meu ver, uma experiência nova e enriquecedora, quer para mim, quer para vocês.
Consegui até este momento estabelecer três contactos, com três das mais participativas seguidoras deste espaço de maluqueiras. Aproveitando desde já, a oportunidade de agradecer a amabilidade com que se dedicaram à iniciativa. O meu muito obrigado.

Assim neste momento encontram-se dois projectos em andamento, um destes já bem avançado. O terceiro ainda se encontra na fase "Alpha", por falta de tempo da co-autora. Mas ela vai arranjar disponibilidade. Tem de arranjar. 

O problema com que neste momento me deparo, é que o enredo alastra-se bem. Soltamos a imaginação ligada às letras e as folhas acumulam-se. No primeiro projecto já se contam mais de 10 páginas de escrita, sem ainda se ver a recta final. Preocupa-me um pouco a forma extensa que cada post irá ter. No entanto é uma boa história e acho que irão apreciar. Pelo menos aqueles que tiverem a vontade de a ler até ao fim.

Fiquem por ai que a "novela mexicana" está quase a chegar...


Fox